domingo, 4 de novembro de 2007

Caro Drummnd, perdoai nos, eu e minha juventude


Infelizmente devo concordar com umas das falas mais negativas do grande poeta mineiro Carlos Drummnd de Andrade: “Nossa juventude é burra, inútil, não conhece seus próprios poetas”. Tal afirmação, fria e madura tem muito a ser discutida e explorada. Em se tratando de um dos 20 autores mais preciosos da língua portuguesa e um dos 10 maiores poetas brasileiros, a de se constatar que a nossa sociedade, mais precisamente seus jovens, desconhecem a literatura de sua pátria.
Mesmo eu, que acabo de me formar no curso de jornalismo, percebo a minha pouca habilidade quando sou convidada a dizer sobre alguns nomes de referência. Por certo, não faria feio. Organizaria em uma lista clássicos como Graciliano Ramos, Olavo Bilac, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Rubens Braga, o “popular” Nelson Rodrigues, o próprio Carlos Drummond de Andrade entre outros. Porém, certamente se convidada a argumentar e explanar sobre suas obras completas e biografia pouco saberia dizer de importante e esclarecedor.
Na era digital escrevemos quase nada e pesquisamos “pequenos recortes”. Não saímos aprofundados sobre os temas, apenas sabemos “em um rasante” sobre algum assunto que em determinado momento é de interesse. Incerto e inlógico essa é uma das facetas de nosso tempo: pouca contribuição, e satisfação pífia. Um retrato grotesco de uma juventude desfamiliarizada e sem referências lingüísticas e de estilo literário.
Ao ler “Dossiê Drummnd” do renomado jornalista Geneton Neto vejo minha pouca resistência quando sabatinada por um dos elementos primordiais a qualquer pessoa que tem por necessidade o hábito da leitura. Entretanto, também acredito que falta uma “exploração educacional” melhor quando tratamos da nossa língua portuguesa.
Tive a possibilidade sim de estudar em escolas que haviam boas bibliotecas e a preocupação com a leitura sempre foi transparecida aos pais e alunos, no entanto, cabe a esses “leitores mirins” serem apresentados aos nossos complexos, profundos e impressionantes autores brasileiros com mais interesse e responsabilidade.
Se de uma coisa tudo vale, penso que essa angústia só me trouxe algo de importante, ler com mais intensidade e saber na confusão tecnológica/contemporânea aumentar o meu nível intelectual conhecendo um pouco melhor sobre a vida desses grandes poetas.
Comecei bem, é através do mineiro, “do urso polar” que sou cordialmente convidada a preencher meus espaços livres com cultura, aprendizado, inspiração e maravilhosos textos. Agora, antes de ler os clássicos da humanidade, vou passear pelo meu próprio mundo, o mundo dos poetas brasileiros que conhecem de perto nossas qualidades, riquezas e incertezas. Neles também correm as nossas vontades e preocupações, resquícios de um país pobre com pouca infra-estrutura, mas que aprendeu a lidar muito bem com a adversidade da vida e com o destino. E como já dizia um velho sábio se “queres conhecer o mundo volte a sua aldeia”.
Obrigada Drummnd.
Cíntia Neves, é jornalista, agente do tempo e do espaço, nem pronta, muito menos completa, mas sempre em busca e na procura de uma maneira de dizer "algo" que faça este instante valer a pena!

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