segunda-feira, 23 de julho de 2007

23

Prazer meu nome é Marcus e venho, de alguma forma contribuir com o perfilado. As vezes nem de perfil, nem por intero e diante do espelho nos reconhecemos. Em outras, nos encontramos no texto. Agradecido pelo espaço.

Não tenho escrito muitas poesias, mas tenho vivido pequenas. Os 23 bateram em minha porta e quando percebi não tinha mais como fechar. Sai correndo pelos becos do meu consciente procurando ser inconsciente diante da novidade de março de 1984, que se repetia todos os anos religiosamente, mas mesmo no cantinho escuro, mais perto do coração do que da mente eles me acharam. Cansei de ser ninguém, mas também não caminharei como 23. Vou ser eu mesmo. Fernando que já nasceu Pessoa e Buarque que já Chico brasileiro fazem parte da minha vida. Jorge Luís Borges que já não enxerga e muito enxerga, não quis mais viver. Talvez tenha caído aqui por engano.Despedidas aumentam cada vez mais. Não é injustiça que as pessoas vão embora, injustiça é querê-las sempre ao nosso lado. Coisa de egoísta, ser humano. Sou um extremista. Os vincos começaram a aparecer em minhas faces e a mais feliz é a que desenha um leve sorriso. Talvez seja porque percebo que as montanhas também envelhecem, porém seus vincos são paisagens. Prepotência dos anos. A verdade é que lutei, enverguei, sangrei de tanta teimosia, mas a cronologia do tempo me fez assim. Sou um e eles são sete, que se formam um, mais três ou quatro formam mês. O ano são doze. Vinte e três gigantes.
Este e outros textos, você também encontra no blog http://www.oditnes.blogspot.com.br/

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O Amuleto

Por Marcos Tavares

Ola!!! Estou de volta aqui no Perfilado para trazer a vocês mais um texto. Porém, desta vez, um texto de minha autoria. O interessante desta crônica na minha humilde opinião é seu personagem. Diggo isso porque o personagem fica "escondido" na história. Cabe a você leitor descobrir sua "identidade". Espero que gostem e descubram o personagem.

O Amuleto

18:00 da tarde – Já não me sentia assim tão jovem, não sei se estou velha, mas a real é que estava ali no canto, quase que jogada no chão do quarto. Naquele instante ignorada, sobrou-me apenas olhar tudo que se mexia ao seu redor. Via aqueles passos já tão conhecidos, porém, agora muito mais nervosos, andando de um lado para o outro. Contagiada pela emoção, tentou desviar o olhar das cenas que se repetiam. Observava quieta, aqueles olhos cansados, com os pés tal como estivessem beirando o precipício. Mal sabia aquele, que daqui alguns minutos tudo seria diferente. Já pressentia que me trocaria, já que de agora em diante tudo seria novo. De repente para minha surpresa pegou-me, não acho que foi por puro e simples amor, mas servi naquela noite, assim como em muitas outras, como um antigo amuleto da sorte, fui naquele momento um objeto de segurança e supertição num impulso e na tentativa de salvar a própria ansiedade. Presenciei uma contradição de sentimentos: a certeza em deixar o que já conhecia e a alegria de experimentar novas experiências.
Quando a hora chegou, já havia anoitecido. A primeira noite do primeiro dia de muitas e muitas e muitas outras noites. Só o que pude fazer foi assentar-me ao seu lado naquela cadeira. Ouvia o ronco de sua barriga e quando me tocou senti o frio e o suor de suas mãos tremulas. Nos corredores daquele novo ambiente os vultos passavam por nós. Tentava me comunicar, mas “eles” falavam outra língua. Vi que para meu cúmplice de longos anos, os desafios apenas começavam, anunciando novos e infinitos deliciosos obstáculos. Seu rosto era uma mistura de feições. Pude perceber que começou a balbuciar uma mesma música sem parar, como se tivessem acionado o repeat. Não era nada, apenas sua voz cantarolando “nossas” velhas canções.
Com o passar das noites, vi que ia se aconchegando na sua nova realidade. Observava tudo como se flutua-se no espaço. Nada o ligava a lugar algum e o que antes era uma doce “rotina”, se derramou pelo caminho feito saco de bolinhas de gude. Melhor não pensar, ploc, ploc, ploc...

Senti que no relógio de sua vida era hora de acrescentar uma nova identidade além da que conheci, e, pouco a pouco o vi deixar ser descoberto em outras multidões
Assim como imaginava, a cada noite surgiam novidades que traziam motivação, sua gana de buscar novos horizontes, colocou o seu velho “comodismo” para trás, era ocasião de permitir mudanças; tipo, como já dizia aquele cantor: “(...) eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo (...)”. Afinal, não são os peixes que levam um pescador até o mar...
Antes de tudo, e o que ficou para trás até onde meu velho companheiro acaba de chegar, foram anos dourados de “cumplicidade”. Uma composição de lágrimas, interrogações, sonhos, esperança, caixas e mais caixas de livros, cadernos, borrachas e tudo mais o que ele me confiava acabava ali. Ponto final. Não posso negar que tive pensamentos egoístas, não queria ser esquecida em um canto qualquer. Mas, sabia que era inevitável esse processo de mudanças, mas aquilo era para o seu melhor. O que me restou foi presenciar a chegada de sua “nova’ e moderna companheira. Mais bonita, cheia de compartimentos, e muito mais resistente que eu. Foi quando em uma dessas noites, fui guardada com muita delicadeza pelo meu “amigo”, que vez ou outra me busca no fundo do baú e fica a me “fitar” com nostalgia das lembranças daqueles tempos.... Afinal, momentos marcantes agente nunca esquece, ainda mais o primeiro dia na faculdade. Até o vivenciarmos são muitos os mitos e incertezas, depois, tantos risos...
Marcos Tavares

terça-feira, 10 de julho de 2007

Por Deborah Miranda
Texto extraído da revista Época de 09/07/07,de Adriano Silva, e ilustra uma dependência muito comum(infelizmente) atualmente.

Confissões de um dependente
Confesso: sou um dependente da aprovação alheia. Preciso me sentir amado para me sentir bem. E sofro crise de abstinência quando as pessoas ao redor são pouco carinhosas comigo. Sem o aplauso, sem o sorriso cúmplice, sem o ambiente acolhedor, eu não vivo. O mero tratamento neutro me soa sempre como agressão, como postura hostil. Tem muita gente como eu por aí. Talvez você mesmo seja um de nós. Ainda que não venhamos a nos organizar num AAA em que os dois últimos "as" signifiquem "aprovação alheia", uma coisa é certa: precisamos nos tratar.
Quem tem essa dependência se coloca refém do humor alheio. Se alguém é áspero com você, você se culpa e se responsabiliza por isso. Se a outra pessoa é rude, você se preocupa, olha desconfiado para a própria conduta, se desestabiliza emocionalmente. Os dependentes da aprovação alheia se tornam, com o tempo, seres frágeis. Patéticos até, em sua hipersensibilidade, em seu melindre cronico. Ao colocarem sua felicidade em mãos alheias, se tornam pessoas facilmente manipuláveis.
Ao definir sua tranquilidade em relação a elas mesmas a partir do olhar dos outros, abrem uma brecha enorme em sua auto-estima. Não falta no mundo gente que perceba essa porta aberta e a use para jogar com a carência de afeto. Trata-se dos predadores emocionais.
É preciso ter cuidado com eles. Gente que faz assédio afetivo uma afiada arma de competição, de ascensão social, de exercício de poder sobre o outro. Por isso admiro quem não dá a mínima para os outros. Quem nasceu blindado contra o poder da opinião alheia, do que possam pensar ou sentir ou dizer a seu respeito.
Pessoas assim se respeitam mais, se preservam mais. Resolvem suas inseguranças de outro modo, sem expor o traseiro nu na janela. Com isso, imagino, sofrem menos.
Essas pessoas sabem que no fundo estamos todos sozinhos neste mundo. E que a opinião que realmente conta sobre elas é a delas mesmo.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Amor é prosa, sexo é poesia.

Marcos Tavares (um dos autores deste blog) não gosta da forma com que Arnaldo Jabor escreve, e deixou isso claro no post logo abaixo.Já eu (Deborah Miranda) sou fã assumida, apesar de achar que em alguns casos, ele é extremamente exagerado ao defender os interesses da Rede Globo, mas, ninguém é perfeito.

Amor é prosa, sexo é poesia


Em uma de suas crônicas afetivas Jabor escreve sobre as diferenças sobre sexo e amor (crônica essa que rendeu uma música a Rita Lee). E é fato, muitos vão pensar: “Não há diferença, sexo e amor são a mesma coisa”. No entanto, eu vos digo; não são a mesma coisa. Podem até estar indiretamente ligados, mas não são iguais.
Amor é algo divino, inexplicável, não se escolhe quem ama, simplesmente acontece em meio ao acaso. É uma busca de redenção, já o sexo é mais realista, envolve pele, toque, cheiro. Acontece por escolha, é algo que também não pode ser explicado, mas, pode ser entendido. O amor precisa do pensamento, o sexo do corpo.
O amor pode atrapalhar o sexo. No entanto, no sexo também há riscos, você pode se apaixonar, ou pior, o amor, pode virar amizade. Há camisinha para o sexo seguro, mas não há camisinha para o amor. O amor pode te pegar desprevenido á qualquer momento, já o sexo dá controle.
Amor é mulher, sexo é homem. Para as mulheres é perfeitamente possível que sexo seja conciliado com amor, algumas dirão até que não existe sexo sem amor. Todavia, para os homens, sexo é apenas sexo, a busca pelo prazer, e em alguns casos, até pode ter uma relação com o amor, mas jamais terão o significado que tem para a mulher.Levando-se em consideração que hoje o sexo muitas vezes é banalizado, visto como diversão, ou só prazer. E eu ouso dizer que, com essa banalização aquele que encontrar o sexo por amor, prazer e diversão no relacionamento, pode juntar as “trouxas” e casar, porque isso é raro.Enfim, sexo e amor, tentam nos afastar da morte, e nos tornar se não melhores, mais realizados.