quinta-feira, 19 de julho de 2007

O Amuleto

Por Marcos Tavares

Ola!!! Estou de volta aqui no Perfilado para trazer a vocês mais um texto. Porém, desta vez, um texto de minha autoria. O interessante desta crônica na minha humilde opinião é seu personagem. Diggo isso porque o personagem fica "escondido" na história. Cabe a você leitor descobrir sua "identidade". Espero que gostem e descubram o personagem.

O Amuleto

18:00 da tarde – Já não me sentia assim tão jovem, não sei se estou velha, mas a real é que estava ali no canto, quase que jogada no chão do quarto. Naquele instante ignorada, sobrou-me apenas olhar tudo que se mexia ao seu redor. Via aqueles passos já tão conhecidos, porém, agora muito mais nervosos, andando de um lado para o outro. Contagiada pela emoção, tentou desviar o olhar das cenas que se repetiam. Observava quieta, aqueles olhos cansados, com os pés tal como estivessem beirando o precipício. Mal sabia aquele, que daqui alguns minutos tudo seria diferente. Já pressentia que me trocaria, já que de agora em diante tudo seria novo. De repente para minha surpresa pegou-me, não acho que foi por puro e simples amor, mas servi naquela noite, assim como em muitas outras, como um antigo amuleto da sorte, fui naquele momento um objeto de segurança e supertição num impulso e na tentativa de salvar a própria ansiedade. Presenciei uma contradição de sentimentos: a certeza em deixar o que já conhecia e a alegria de experimentar novas experiências.
Quando a hora chegou, já havia anoitecido. A primeira noite do primeiro dia de muitas e muitas e muitas outras noites. Só o que pude fazer foi assentar-me ao seu lado naquela cadeira. Ouvia o ronco de sua barriga e quando me tocou senti o frio e o suor de suas mãos tremulas. Nos corredores daquele novo ambiente os vultos passavam por nós. Tentava me comunicar, mas “eles” falavam outra língua. Vi que para meu cúmplice de longos anos, os desafios apenas começavam, anunciando novos e infinitos deliciosos obstáculos. Seu rosto era uma mistura de feições. Pude perceber que começou a balbuciar uma mesma música sem parar, como se tivessem acionado o repeat. Não era nada, apenas sua voz cantarolando “nossas” velhas canções.
Com o passar das noites, vi que ia se aconchegando na sua nova realidade. Observava tudo como se flutua-se no espaço. Nada o ligava a lugar algum e o que antes era uma doce “rotina”, se derramou pelo caminho feito saco de bolinhas de gude. Melhor não pensar, ploc, ploc, ploc...

Senti que no relógio de sua vida era hora de acrescentar uma nova identidade além da que conheci, e, pouco a pouco o vi deixar ser descoberto em outras multidões
Assim como imaginava, a cada noite surgiam novidades que traziam motivação, sua gana de buscar novos horizontes, colocou o seu velho “comodismo” para trás, era ocasião de permitir mudanças; tipo, como já dizia aquele cantor: “(...) eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo (...)”. Afinal, não são os peixes que levam um pescador até o mar...
Antes de tudo, e o que ficou para trás até onde meu velho companheiro acaba de chegar, foram anos dourados de “cumplicidade”. Uma composição de lágrimas, interrogações, sonhos, esperança, caixas e mais caixas de livros, cadernos, borrachas e tudo mais o que ele me confiava acabava ali. Ponto final. Não posso negar que tive pensamentos egoístas, não queria ser esquecida em um canto qualquer. Mas, sabia que era inevitável esse processo de mudanças, mas aquilo era para o seu melhor. O que me restou foi presenciar a chegada de sua “nova’ e moderna companheira. Mais bonita, cheia de compartimentos, e muito mais resistente que eu. Foi quando em uma dessas noites, fui guardada com muita delicadeza pelo meu “amigo”, que vez ou outra me busca no fundo do baú e fica a me “fitar” com nostalgia das lembranças daqueles tempos.... Afinal, momentos marcantes agente nunca esquece, ainda mais o primeiro dia na faculdade. Até o vivenciarmos são muitos os mitos e incertezas, depois, tantos risos...
Marcos Tavares

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