segunda-feira, 12 de novembro de 2007

No olho do furacão cibernético – qual é o nosso espaço e o que será valorizado?


Rede de conversão, novas mídias, mudanças nos modelos e diretrizes dos contextos tecnológicos, buscas constantes, cada momento, uma nova regra. Estar interado ao atual “mundo cibernético” não é tarefa fácil, principalmente quando nos deparamos com um amanhã incerto, porque o brinquedinho da moda mudou.
Como ser interlocutor do tempo onde espaços estão sendo remodelados e definições, por hora já estabelecidas, se quebram cotidianamente? Cada um pede um espaço, cada um tem por definição um conceito, mas afinal, o que é conceito? O que está certo ou errado? Quais são os agentes? Como saber se sua rede de integração é a mais compatível de todas?
Tornamos-nos frágeis, como tudo aquilo que é produzido e reproduzido nas novas tecnologias. É como se o avanço nos dissesse: não há certo, nem errado, o que é possível é se propagar... Porém, essa falta de sedimentação é também benéfica, um beneficio pautado pela experimentação, um local em que tudo se constrói e reconstrói da mesma maneira. Arte, cultura, jornalismo, entretenimento, temos um avanço jamais conquistado
A responsabilidade aumentou a aqueles que de alguma maneira vivem do “manejo” intelectual. É preciso ser real, virtual, diferenciar o acadêmico, o experimental, praticar e estabelecer novas diretrizes, além de saber conviver com os direitos “autorais”. As buscas também mudaram, um cosmopolita sabe que os espaços são amplos, no entanto, ainda nem sempre confiáveis. Nessa rede de relacionamentos e vivências se faz presente o indivíduo que surge com uma nova roupagem e remodelagem: a tudo por se fazer!!!
Aí está a nova era: uma vibe de suposições!

· Se vc quiser saber mais sobre o jornalismo, novas mídias e mudanças na teia global acesse o site da TV Minas. Lá vc encontra os links super atualizados do Programa Rede Mídia.

domingo, 4 de novembro de 2007

Caro Drummnd, perdoai nos, eu e minha juventude


Infelizmente devo concordar com umas das falas mais negativas do grande poeta mineiro Carlos Drummnd de Andrade: “Nossa juventude é burra, inútil, não conhece seus próprios poetas”. Tal afirmação, fria e madura tem muito a ser discutida e explorada. Em se tratando de um dos 20 autores mais preciosos da língua portuguesa e um dos 10 maiores poetas brasileiros, a de se constatar que a nossa sociedade, mais precisamente seus jovens, desconhecem a literatura de sua pátria.
Mesmo eu, que acabo de me formar no curso de jornalismo, percebo a minha pouca habilidade quando sou convidada a dizer sobre alguns nomes de referência. Por certo, não faria feio. Organizaria em uma lista clássicos como Graciliano Ramos, Olavo Bilac, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Rubens Braga, o “popular” Nelson Rodrigues, o próprio Carlos Drummond de Andrade entre outros. Porém, certamente se convidada a argumentar e explanar sobre suas obras completas e biografia pouco saberia dizer de importante e esclarecedor.
Na era digital escrevemos quase nada e pesquisamos “pequenos recortes”. Não saímos aprofundados sobre os temas, apenas sabemos “em um rasante” sobre algum assunto que em determinado momento é de interesse. Incerto e inlógico essa é uma das facetas de nosso tempo: pouca contribuição, e satisfação pífia. Um retrato grotesco de uma juventude desfamiliarizada e sem referências lingüísticas e de estilo literário.
Ao ler “Dossiê Drummnd” do renomado jornalista Geneton Neto vejo minha pouca resistência quando sabatinada por um dos elementos primordiais a qualquer pessoa que tem por necessidade o hábito da leitura. Entretanto, também acredito que falta uma “exploração educacional” melhor quando tratamos da nossa língua portuguesa.
Tive a possibilidade sim de estudar em escolas que haviam boas bibliotecas e a preocupação com a leitura sempre foi transparecida aos pais e alunos, no entanto, cabe a esses “leitores mirins” serem apresentados aos nossos complexos, profundos e impressionantes autores brasileiros com mais interesse e responsabilidade.
Se de uma coisa tudo vale, penso que essa angústia só me trouxe algo de importante, ler com mais intensidade e saber na confusão tecnológica/contemporânea aumentar o meu nível intelectual conhecendo um pouco melhor sobre a vida desses grandes poetas.
Comecei bem, é através do mineiro, “do urso polar” que sou cordialmente convidada a preencher meus espaços livres com cultura, aprendizado, inspiração e maravilhosos textos. Agora, antes de ler os clássicos da humanidade, vou passear pelo meu próprio mundo, o mundo dos poetas brasileiros que conhecem de perto nossas qualidades, riquezas e incertezas. Neles também correm as nossas vontades e preocupações, resquícios de um país pobre com pouca infra-estrutura, mas que aprendeu a lidar muito bem com a adversidade da vida e com o destino. E como já dizia um velho sábio se “queres conhecer o mundo volte a sua aldeia”.
Obrigada Drummnd.
Cíntia Neves, é jornalista, agente do tempo e do espaço, nem pronta, muito menos completa, mas sempre em busca e na procura de uma maneira de dizer "algo" que faça este instante valer a pena!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O amor segundo segundos

Amar é um sentimento único, mor, que nenhum outro tenha alcançado tal nível.
Mor porque raiva, ódio, alegria e todo o cosmo de sentimentos que nos rodeiam é originário do amor.
Tão virtuoso quanto a costela de Adão. Incontrolável, sagaz.
È a matemática incalculável, dialeto não decifrável.Guerra entre razão e emoção, gregos e troianos.
Transborda e esvazia o circunstancial. Rasgo do mundo para o angelical.
Ah, o amor...


É o único e depois o único novamente, conseguinte.
Ócio da mente, exercício voraz do coração.
O casamento da paixão com a adoração.
O tempo esguio, o furto perdoado das palavras do poeta.
Ah, o amor...


È o abstrato concreto e o concreto abstrato.
Estar em companhia com pássaros.
A dor consentida e querida.
Ver nas nuvens desfiguradas o rosto da amada.
Ah, o amor...

O desespero de mãos dadas com a calmaria.
O lápis reverenciando a folha com poesias.
A magia das danças dos corpos, o dinamismo do olhar.
João e Maria.
Ah, o amor...


Ausência das palavras, pois os olhos falam.
O ateu crendo em Deus.
Reprimir os pensamentos e jogar os dados
È abnegação à felicidade e a vida plena cedida à devoção do nosso bem querer.
Ah, o Amor!

È mendigar o sorriso do próximo.
A noite perdida tornar-se ganha.
Todo intelecto induzido ao nada.
O poema sempre incompleto esperando o verso amado.
Ah... meu Amor!

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Eu quero meu R$0,01

Um centavo é um centavo não é?Esta foi a pergunta, com certo ar de deboche, que a caixa me fez ao cobrar dela o troco de três centavos. Podem achar que sou pão-duro e capitalista ao extremo. Mas a minha atitude vai mais além, leva o nome da minha família, contra a omissão e mesmo parecendo contradição, anti-capitalismo. Como vou explicar o meu padrinho que não junto os centavos e ainda por cima não recebo troco do caixa. - Meu troco! Desculpe-me senhora, mas quem está errado nesta história é você.Pense bem, eu que recebo meus sofridos 26.000 centavos, tenho que fazer caridade de sustentar uma empresa. Isso mesmo, estagiário não conta os reais e sim os centavos. Três centavos mais 27 é o meu café, não que seja tão bom, mas é café.Também mesmo se eu passasse pela primeira esquina e doasse a quantia à alguém, mas é meu! Hoje, com o progresso chinês, compro três balas por um centavo. Isso também se eu quiser, pois quero meu dinheiro e não venha com balas de troco. Caso insista, vou juntar minhas balas e pagar contas. Dessa forma a senhora compra o leite da sua filha com as balas. Aí sim tudo bem.Se um centavo não fosse dinheiro, Banco Central não custearia a moeda. Guardo-as em um pote e aonde quiser. Elas engordam os porquinhos das crianças, realizam desejos, são amuletos e pagam os meus cafés diários. Um centavo não dá cifras intermináveis, da mesma forma que uma letra não gera palavra, mas a união delas sim. Então por favor, coloquem as moedinhas de um centavo nos caixas, porque eu as exijo como troco. Se quiserem ir buscar no cofre da empresa, tudo bem, eu espero. Agora senhora caixa eu respondo a sua pergunta? Então enfia os centavos no seu cofrinho!

Descartáveis, adoráveis e memoráveis!

Dizem que das pessoas que passam em nossas vidas, 50% conhecemos até os 23 anos. Entre elas estão familiares, parentes, amigos, colegas, inconvenientes e namoradas. Destes apenas 25% serão lembrados na posteridade, os que viram alicerces de nossos corpos e mentes. Para os analistas esse grupo se restringe às pessoas mais próximas. Como nem todo crítico é lúcido, as pesquisas também se embriagam. Não podem esquecer dos descartáveis, são as melhores pessoas que conhecemos, mesmo porque não as conhecemos muito bem. Exemplo? Ônibus. É a maior convenção de descartáveis contemporâneos. Uma prateleira farta e diversificada. É só escolher com quem conversar e falar a primeira palavra. Pronto! está iniciada a filosofia do dia.
Imagine Platão, Aristóteles, Xenófanes ou então Descartes, Rousseau dentro dos ônibus. Adoráveis! Iriam prosear sobre o eu, sobre o efêmero papo interpenetrado nele mesmo.A labuta diária é pesada e não há tempo para bater uma resenha. A verdade é que os descartáveis são realmente estranhos, falam o que queremos e se rolar um clima até cedem o ombro para cochilarmos.
Quem nunca encontrou no ônibus apenas um lugar, este ao lado da senhora de cento e cinqüenta quilos. Aquela que nem sabemos se usa cinto ou a linha do equador e que ocupara o espaço dela e a metade do seu. É claro que não sentamos e sim nosso lado esquerdo senta a banda direita do corpo ou vice versa. Quem nunca puxou papo com um descartável tendo segundas intenções e percebe que este sofre de gerundismo terrível. Ao perguntar onde trabalha, ele responde no telemarketing da sua operadora telefônica. Controle-se, no final do ponto ele vai falar “O Sr. podia estar mudando de operadora, nosso serviço está sendo horrível” e fazer jus ao seu rótulo de descartável.
Existem aqueles que sabem de tudo, conheceram presidentes, fumou maconha com Bob Marley e que carteira de motorista é um símbolo de masculinidade. Aquelas que lêem mãos e acabam descobrindo tudo de sua vida e ainda afirmam que possui um leve distúrbio mental tracejado em suas próprias digitais.
Descartáveis, não há como fugir. Um dia você vai encontrar. Tarados, ladros, antipáticos; peões, anões; loucos, tolos; lúcidos ou loucos demais, amantes, adoráveis e memoráveis.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Não sou da juventude estampada pela mídia.


Oi galera, Tô aí de novo, pra mostrar uma crônica que fiz em meio ao material desenvolvido para o Dia Municipal da Juventude em Belo Horizonte, que será realizado dia 23 de setembro. Espero que gostem e principalmente: concordem!Obrigada pelo espaço! Cíntia Neves

Em uma rápida análise dos principais veículos de comunicação, websites e propagandas existentes no Brasil a percepção que temos é negativa: o Jovem é tratado com natural superficialidade.
Se esse é ou não o perfil do jovem contemporâneo, isso não está sendo discutido e nem precisa ser estereotipado pelas mídias. Obviamente os jovens atuais, não são os mesmos jovens aguerridos da década de 60, juventude vibrante com força para a participação nos processos políticos do Brasil, pessoas com sensibilidade para viver lutas pela justiça social, liberdade de expressão ou principalmente por um ideal: estamos à mercê do mercado de consumo, um mundo frívolo do individualismo, a tônica contemporânea e o estilo cosmopolitan do status ter.
Realmente temos vários porquês de sermos tratados dessa maneira, porém, nem todos merecem o desprestígio de serem comparados a estrelas globais, atores de seriado ao personagens marcados dos telejornais. Existe muito jovem ai preocupado com uma guerra que talvez não nos leve mais a reunir em ruas, pintar a cara ou explodir em manifestos contra o governo.
Nossas aspirações são maiores e nossa objetividade é diferente. Acreditamos que o bem e o mal estão na mesma face da moeda. Uma moeda de injustiça, de extravio econômico e preconceito, monstros que não podemos mais enfrentar com apenas faixas de impacto ou alusões pífias em datas comemorativas. Nossa briga é com uma humanidade esfacelada pelo tempo e pela ambição, por carrascos vestidos de terno e gravata e que não tem direito ao menos de serem considerados cidadãos, pois eles matam roubam e aniquilam sonhos a serviço de uma pátria.
Sabemos quem são e como são os atores que empobrecem a nossa vida e a nossa mocidade, mesmo que por muitas vezes eles não tenham rostos, apenas são marcas e produtos pertencentes ao imaginário social meu, seu de todo mundo. Da menina que mora na zona sul ou do adolescente de um aglomerado.
A coisa não é tão simples como se imaginava, não é apenas o barato do dinheiro ao a falta de aspiração ideológica. Somos jovens fracos e omissos porque é esse o planeta que nos fora apresentados. Muito prazer mundo novo, hipócrita e descrente. O que será da próxima geração de jovens se não houver umas conversão de valores? E olha, não estou falando dos mesmos valores de autrora: esses já foram apresentados. E no que deu? Em nada. Ou seja, enquanto houver tempo, pare e pense, pois, pior que ser julgado pelos clichês da tv vai ser aquele julgamento que você fará por si só, aquele que marcará a sua existência.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

23

Prazer meu nome é Marcus e venho, de alguma forma contribuir com o perfilado. As vezes nem de perfil, nem por intero e diante do espelho nos reconhecemos. Em outras, nos encontramos no texto. Agradecido pelo espaço.

Não tenho escrito muitas poesias, mas tenho vivido pequenas. Os 23 bateram em minha porta e quando percebi não tinha mais como fechar. Sai correndo pelos becos do meu consciente procurando ser inconsciente diante da novidade de março de 1984, que se repetia todos os anos religiosamente, mas mesmo no cantinho escuro, mais perto do coração do que da mente eles me acharam. Cansei de ser ninguém, mas também não caminharei como 23. Vou ser eu mesmo. Fernando que já nasceu Pessoa e Buarque que já Chico brasileiro fazem parte da minha vida. Jorge Luís Borges que já não enxerga e muito enxerga, não quis mais viver. Talvez tenha caído aqui por engano.Despedidas aumentam cada vez mais. Não é injustiça que as pessoas vão embora, injustiça é querê-las sempre ao nosso lado. Coisa de egoísta, ser humano. Sou um extremista. Os vincos começaram a aparecer em minhas faces e a mais feliz é a que desenha um leve sorriso. Talvez seja porque percebo que as montanhas também envelhecem, porém seus vincos são paisagens. Prepotência dos anos. A verdade é que lutei, enverguei, sangrei de tanta teimosia, mas a cronologia do tempo me fez assim. Sou um e eles são sete, que se formam um, mais três ou quatro formam mês. O ano são doze. Vinte e três gigantes.
Este e outros textos, você também encontra no blog http://www.oditnes.blogspot.com.br/