quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Escolhas

Dúvidas, o efeito das possibilidades, acabam nos confundindo na hora de nossas escolhas. Sempre fica aquele pensamento: Será que eu fiz a coisa certa? Pois é, nem sempre temos a oportunidade de voltar atrás. Agir de forma certa, principalmente com as pessoas, pode ser essencial.

A personalidade é o fruto gerado por como enfrentamos as nossas opções de escolha. Esconder a encarar os problemas, não tomar decisões, não agir quando se pode, acaba nos tornando menores, mais fracos e vulneráveis para viver o universo de caminhos que é a vida. Mas escolhas precipitadas também podem ser ruins. Pense muito bem quando pisar em alguém para subir mais um degrau, tendo construído esse precário de alicerce, fácil de desabar. O risco da escolha, pode ser um relacionamento sem cumplicidade nem amor, cometer um crime, quebrar uma regra, tomar um caminho errado, não saber selecionar as amizades, confiar um segredo a alguém qualquer. Enfim, somos postos a prova a todo o momento e medir os resultados de nossas ações é o que nos dá bagagem necessária e experiência de vida para agir com discernimento em nossas decisões e atitudes. Mas há também um lado bom termos que fazer opções, assim podemos escolher sermos pessoas a serem lembradas ou meras figuras de passagem, depende somente de como encaramos o mundo e seus desafios.

Entretanto, ser importante a alguém, ser referência e lembrado por coisas boas é o que realmente faz valer a vida. São as atitudes que fazem com que as pessoas se afastem ou se aproximem, por isso é bom prestar bastante atenção se quer preservar suas amizades e pessoas queridas por perto.

Saiba fazer as escolhas certas. Pense antes de tudo, quando estiver julgando o outro, quando disser algo a respeito, sem se colocar no lugar desses ou conhecer sobre. Procurar entender as coisas é o primeiro passo para uma se fazer uma escolha correta.

Por trás da retina

... Por trás de uma carta há uma manga ...
... Por trás de um truque há uma mentira ...
... Por trás de um copo há uma má intenção ...
... Por trás de um disfarce há um outro disfarce ...
... Por trás de um gesto, uma recompensa ...
... Por trás de uma fotografia, uma lembrança ...
... Por trás de uma imagem há um significado ...
... Por trás de uma árvore há uma sombra ...
... Por trás de uma ação há uma reação ...
... Por trás disso há aquilo ...

... Por trás da retina, uma alma.

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Rubaiyat de Khayyam – Poesia Persa


Penso que o mundo globalizado nos conecta a diretrizes imagináveis. Um olhar mais apurado, uma boa viagem pela internet pode nos levar ao encontro de resquícios de uma Pérsia distante, mais profunda, linda, delicada e principalmente poética .
Aos olhos de alguns tradutores, releituras e novos contextos encontrei Omar Ibn Ibrahim El Khayyam. Poeta que nasceu em Nichapur, na Pérsia, o atual Irã, em 1040 e morreu nessa mesma cidade em 1120. Teu nome artístico, de significado “fabricante de tendas”; foi adotado em préstimos ao pai, vendedor das mesmas.
Khayyam além de poeta foi matemático e astrônomo e como diretor do Observatório de Merv, fez a reforma do calendário muçulmano. Porém, o que mais evidência esse ser humano de várias facetas é o manejo com as palavras. Em suas escritas utilizava o Rubaiyat . Plural da palavra persa rubai (quadras, quartetos) em que o primeiro, o segundo e o quarto versos são rimados, o terceiro branco, Khayyam fez das suas poesias mais belas e profundas graças a tal configuração.
Melhor que descrevê-las é apreciá-las.
Fique com uma tradução em português de Afredo Braga de algumas estrofes de Os Rubaiyat de Omar Khayyam
1
Nunca murmurei uma prece,
nem escondi os meus pecados.
Ignoro se existe uma Justiça, ou Misericórdia;
mas não desespero: sou um homem sincero.
2
O que vale mais? Meditar numa taverna,
ou prosternado na mesquita implorar o Céu?
Não sei se temos um Senhor,
nem que destino me reservou.

3
Olha com indulgência aqueles que se embriagam
os teus defeitos não são menores.
Se queres paz e serenidade, lembra-te
da dor de tantos outros, e te julgarás feliz.
4
Que o teu saber não humilhe o teu próximo.
Cuidado, não deixes que a ira te domine.
Se esperas a paz, sorri ao destino que te fere;
não firas ninguém.
5
Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.
Apanha um grande copo cheio de vinho,
senta-te ao luar, e pensa:
Talvez amanhã a lua me procure em vão.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

No olho do furacão cibernético – qual é o nosso espaço e o que será valorizado?


Rede de conversão, novas mídias, mudanças nos modelos e diretrizes dos contextos tecnológicos, buscas constantes, cada momento, uma nova regra. Estar interado ao atual “mundo cibernético” não é tarefa fácil, principalmente quando nos deparamos com um amanhã incerto, porque o brinquedinho da moda mudou.
Como ser interlocutor do tempo onde espaços estão sendo remodelados e definições, por hora já estabelecidas, se quebram cotidianamente? Cada um pede um espaço, cada um tem por definição um conceito, mas afinal, o que é conceito? O que está certo ou errado? Quais são os agentes? Como saber se sua rede de integração é a mais compatível de todas?
Tornamos-nos frágeis, como tudo aquilo que é produzido e reproduzido nas novas tecnologias. É como se o avanço nos dissesse: não há certo, nem errado, o que é possível é se propagar... Porém, essa falta de sedimentação é também benéfica, um beneficio pautado pela experimentação, um local em que tudo se constrói e reconstrói da mesma maneira. Arte, cultura, jornalismo, entretenimento, temos um avanço jamais conquistado
A responsabilidade aumentou a aqueles que de alguma maneira vivem do “manejo” intelectual. É preciso ser real, virtual, diferenciar o acadêmico, o experimental, praticar e estabelecer novas diretrizes, além de saber conviver com os direitos “autorais”. As buscas também mudaram, um cosmopolita sabe que os espaços são amplos, no entanto, ainda nem sempre confiáveis. Nessa rede de relacionamentos e vivências se faz presente o indivíduo que surge com uma nova roupagem e remodelagem: a tudo por se fazer!!!
Aí está a nova era: uma vibe de suposições!

· Se vc quiser saber mais sobre o jornalismo, novas mídias e mudanças na teia global acesse o site da TV Minas. Lá vc encontra os links super atualizados do Programa Rede Mídia.

domingo, 4 de novembro de 2007

Caro Drummnd, perdoai nos, eu e minha juventude


Infelizmente devo concordar com umas das falas mais negativas do grande poeta mineiro Carlos Drummnd de Andrade: “Nossa juventude é burra, inútil, não conhece seus próprios poetas”. Tal afirmação, fria e madura tem muito a ser discutida e explorada. Em se tratando de um dos 20 autores mais preciosos da língua portuguesa e um dos 10 maiores poetas brasileiros, a de se constatar que a nossa sociedade, mais precisamente seus jovens, desconhecem a literatura de sua pátria.
Mesmo eu, que acabo de me formar no curso de jornalismo, percebo a minha pouca habilidade quando sou convidada a dizer sobre alguns nomes de referência. Por certo, não faria feio. Organizaria em uma lista clássicos como Graciliano Ramos, Olavo Bilac, Fernando Pessoa, Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Rubens Braga, o “popular” Nelson Rodrigues, o próprio Carlos Drummond de Andrade entre outros. Porém, certamente se convidada a argumentar e explanar sobre suas obras completas e biografia pouco saberia dizer de importante e esclarecedor.
Na era digital escrevemos quase nada e pesquisamos “pequenos recortes”. Não saímos aprofundados sobre os temas, apenas sabemos “em um rasante” sobre algum assunto que em determinado momento é de interesse. Incerto e inlógico essa é uma das facetas de nosso tempo: pouca contribuição, e satisfação pífia. Um retrato grotesco de uma juventude desfamiliarizada e sem referências lingüísticas e de estilo literário.
Ao ler “Dossiê Drummnd” do renomado jornalista Geneton Neto vejo minha pouca resistência quando sabatinada por um dos elementos primordiais a qualquer pessoa que tem por necessidade o hábito da leitura. Entretanto, também acredito que falta uma “exploração educacional” melhor quando tratamos da nossa língua portuguesa.
Tive a possibilidade sim de estudar em escolas que haviam boas bibliotecas e a preocupação com a leitura sempre foi transparecida aos pais e alunos, no entanto, cabe a esses “leitores mirins” serem apresentados aos nossos complexos, profundos e impressionantes autores brasileiros com mais interesse e responsabilidade.
Se de uma coisa tudo vale, penso que essa angústia só me trouxe algo de importante, ler com mais intensidade e saber na confusão tecnológica/contemporânea aumentar o meu nível intelectual conhecendo um pouco melhor sobre a vida desses grandes poetas.
Comecei bem, é através do mineiro, “do urso polar” que sou cordialmente convidada a preencher meus espaços livres com cultura, aprendizado, inspiração e maravilhosos textos. Agora, antes de ler os clássicos da humanidade, vou passear pelo meu próprio mundo, o mundo dos poetas brasileiros que conhecem de perto nossas qualidades, riquezas e incertezas. Neles também correm as nossas vontades e preocupações, resquícios de um país pobre com pouca infra-estrutura, mas que aprendeu a lidar muito bem com a adversidade da vida e com o destino. E como já dizia um velho sábio se “queres conhecer o mundo volte a sua aldeia”.
Obrigada Drummnd.
Cíntia Neves, é jornalista, agente do tempo e do espaço, nem pronta, muito menos completa, mas sempre em busca e na procura de uma maneira de dizer "algo" que faça este instante valer a pena!

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O amor segundo segundos

Amar é um sentimento único, mor, que nenhum outro tenha alcançado tal nível.
Mor porque raiva, ódio, alegria e todo o cosmo de sentimentos que nos rodeiam é originário do amor.
Tão virtuoso quanto a costela de Adão. Incontrolável, sagaz.
È a matemática incalculável, dialeto não decifrável.Guerra entre razão e emoção, gregos e troianos.
Transborda e esvazia o circunstancial. Rasgo do mundo para o angelical.
Ah, o amor...


É o único e depois o único novamente, conseguinte.
Ócio da mente, exercício voraz do coração.
O casamento da paixão com a adoração.
O tempo esguio, o furto perdoado das palavras do poeta.
Ah, o amor...


È o abstrato concreto e o concreto abstrato.
Estar em companhia com pássaros.
A dor consentida e querida.
Ver nas nuvens desfiguradas o rosto da amada.
Ah, o amor...

O desespero de mãos dadas com a calmaria.
O lápis reverenciando a folha com poesias.
A magia das danças dos corpos, o dinamismo do olhar.
João e Maria.
Ah, o amor...


Ausência das palavras, pois os olhos falam.
O ateu crendo em Deus.
Reprimir os pensamentos e jogar os dados
È abnegação à felicidade e a vida plena cedida à devoção do nosso bem querer.
Ah, o Amor!

È mendigar o sorriso do próximo.
A noite perdida tornar-se ganha.
Todo intelecto induzido ao nada.
O poema sempre incompleto esperando o verso amado.
Ah... meu Amor!

Você encontra este e outros textos no
http://www.oditnes.blogspot.com/

Eu quero meu R$0,01

Um centavo é um centavo não é?Esta foi a pergunta, com certo ar de deboche, que a caixa me fez ao cobrar dela o troco de três centavos. Podem achar que sou pão-duro e capitalista ao extremo. Mas a minha atitude vai mais além, leva o nome da minha família, contra a omissão e mesmo parecendo contradição, anti-capitalismo. Como vou explicar o meu padrinho que não junto os centavos e ainda por cima não recebo troco do caixa. - Meu troco! Desculpe-me senhora, mas quem está errado nesta história é você.Pense bem, eu que recebo meus sofridos 26.000 centavos, tenho que fazer caridade de sustentar uma empresa. Isso mesmo, estagiário não conta os reais e sim os centavos. Três centavos mais 27 é o meu café, não que seja tão bom, mas é café.Também mesmo se eu passasse pela primeira esquina e doasse a quantia à alguém, mas é meu! Hoje, com o progresso chinês, compro três balas por um centavo. Isso também se eu quiser, pois quero meu dinheiro e não venha com balas de troco. Caso insista, vou juntar minhas balas e pagar contas. Dessa forma a senhora compra o leite da sua filha com as balas. Aí sim tudo bem.Se um centavo não fosse dinheiro, Banco Central não custearia a moeda. Guardo-as em um pote e aonde quiser. Elas engordam os porquinhos das crianças, realizam desejos, são amuletos e pagam os meus cafés diários. Um centavo não dá cifras intermináveis, da mesma forma que uma letra não gera palavra, mas a união delas sim. Então por favor, coloquem as moedinhas de um centavo nos caixas, porque eu as exijo como troco. Se quiserem ir buscar no cofre da empresa, tudo bem, eu espero. Agora senhora caixa eu respondo a sua pergunta? Então enfia os centavos no seu cofrinho!

Descartáveis, adoráveis e memoráveis!

Dizem que das pessoas que passam em nossas vidas, 50% conhecemos até os 23 anos. Entre elas estão familiares, parentes, amigos, colegas, inconvenientes e namoradas. Destes apenas 25% serão lembrados na posteridade, os que viram alicerces de nossos corpos e mentes. Para os analistas esse grupo se restringe às pessoas mais próximas. Como nem todo crítico é lúcido, as pesquisas também se embriagam. Não podem esquecer dos descartáveis, são as melhores pessoas que conhecemos, mesmo porque não as conhecemos muito bem. Exemplo? Ônibus. É a maior convenção de descartáveis contemporâneos. Uma prateleira farta e diversificada. É só escolher com quem conversar e falar a primeira palavra. Pronto! está iniciada a filosofia do dia.
Imagine Platão, Aristóteles, Xenófanes ou então Descartes, Rousseau dentro dos ônibus. Adoráveis! Iriam prosear sobre o eu, sobre o efêmero papo interpenetrado nele mesmo.A labuta diária é pesada e não há tempo para bater uma resenha. A verdade é que os descartáveis são realmente estranhos, falam o que queremos e se rolar um clima até cedem o ombro para cochilarmos.
Quem nunca encontrou no ônibus apenas um lugar, este ao lado da senhora de cento e cinqüenta quilos. Aquela que nem sabemos se usa cinto ou a linha do equador e que ocupara o espaço dela e a metade do seu. É claro que não sentamos e sim nosso lado esquerdo senta a banda direita do corpo ou vice versa. Quem nunca puxou papo com um descartável tendo segundas intenções e percebe que este sofre de gerundismo terrível. Ao perguntar onde trabalha, ele responde no telemarketing da sua operadora telefônica. Controle-se, no final do ponto ele vai falar “O Sr. podia estar mudando de operadora, nosso serviço está sendo horrível” e fazer jus ao seu rótulo de descartável.
Existem aqueles que sabem de tudo, conheceram presidentes, fumou maconha com Bob Marley e que carteira de motorista é um símbolo de masculinidade. Aquelas que lêem mãos e acabam descobrindo tudo de sua vida e ainda afirmam que possui um leve distúrbio mental tracejado em suas próprias digitais.
Descartáveis, não há como fugir. Um dia você vai encontrar. Tarados, ladros, antipáticos; peões, anões; loucos, tolos; lúcidos ou loucos demais, amantes, adoráveis e memoráveis.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Não sou da juventude estampada pela mídia.


Oi galera, Tô aí de novo, pra mostrar uma crônica que fiz em meio ao material desenvolvido para o Dia Municipal da Juventude em Belo Horizonte, que será realizado dia 23 de setembro. Espero que gostem e principalmente: concordem!Obrigada pelo espaço! Cíntia Neves

Em uma rápida análise dos principais veículos de comunicação, websites e propagandas existentes no Brasil a percepção que temos é negativa: o Jovem é tratado com natural superficialidade.
Se esse é ou não o perfil do jovem contemporâneo, isso não está sendo discutido e nem precisa ser estereotipado pelas mídias. Obviamente os jovens atuais, não são os mesmos jovens aguerridos da década de 60, juventude vibrante com força para a participação nos processos políticos do Brasil, pessoas com sensibilidade para viver lutas pela justiça social, liberdade de expressão ou principalmente por um ideal: estamos à mercê do mercado de consumo, um mundo frívolo do individualismo, a tônica contemporânea e o estilo cosmopolitan do status ter.
Realmente temos vários porquês de sermos tratados dessa maneira, porém, nem todos merecem o desprestígio de serem comparados a estrelas globais, atores de seriado ao personagens marcados dos telejornais. Existe muito jovem ai preocupado com uma guerra que talvez não nos leve mais a reunir em ruas, pintar a cara ou explodir em manifestos contra o governo.
Nossas aspirações são maiores e nossa objetividade é diferente. Acreditamos que o bem e o mal estão na mesma face da moeda. Uma moeda de injustiça, de extravio econômico e preconceito, monstros que não podemos mais enfrentar com apenas faixas de impacto ou alusões pífias em datas comemorativas. Nossa briga é com uma humanidade esfacelada pelo tempo e pela ambição, por carrascos vestidos de terno e gravata e que não tem direito ao menos de serem considerados cidadãos, pois eles matam roubam e aniquilam sonhos a serviço de uma pátria.
Sabemos quem são e como são os atores que empobrecem a nossa vida e a nossa mocidade, mesmo que por muitas vezes eles não tenham rostos, apenas são marcas e produtos pertencentes ao imaginário social meu, seu de todo mundo. Da menina que mora na zona sul ou do adolescente de um aglomerado.
A coisa não é tão simples como se imaginava, não é apenas o barato do dinheiro ao a falta de aspiração ideológica. Somos jovens fracos e omissos porque é esse o planeta que nos fora apresentados. Muito prazer mundo novo, hipócrita e descrente. O que será da próxima geração de jovens se não houver umas conversão de valores? E olha, não estou falando dos mesmos valores de autrora: esses já foram apresentados. E no que deu? Em nada. Ou seja, enquanto houver tempo, pare e pense, pois, pior que ser julgado pelos clichês da tv vai ser aquele julgamento que você fará por si só, aquele que marcará a sua existência.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

23

Prazer meu nome é Marcus e venho, de alguma forma contribuir com o perfilado. As vezes nem de perfil, nem por intero e diante do espelho nos reconhecemos. Em outras, nos encontramos no texto. Agradecido pelo espaço.

Não tenho escrito muitas poesias, mas tenho vivido pequenas. Os 23 bateram em minha porta e quando percebi não tinha mais como fechar. Sai correndo pelos becos do meu consciente procurando ser inconsciente diante da novidade de março de 1984, que se repetia todos os anos religiosamente, mas mesmo no cantinho escuro, mais perto do coração do que da mente eles me acharam. Cansei de ser ninguém, mas também não caminharei como 23. Vou ser eu mesmo. Fernando que já nasceu Pessoa e Buarque que já Chico brasileiro fazem parte da minha vida. Jorge Luís Borges que já não enxerga e muito enxerga, não quis mais viver. Talvez tenha caído aqui por engano.Despedidas aumentam cada vez mais. Não é injustiça que as pessoas vão embora, injustiça é querê-las sempre ao nosso lado. Coisa de egoísta, ser humano. Sou um extremista. Os vincos começaram a aparecer em minhas faces e a mais feliz é a que desenha um leve sorriso. Talvez seja porque percebo que as montanhas também envelhecem, porém seus vincos são paisagens. Prepotência dos anos. A verdade é que lutei, enverguei, sangrei de tanta teimosia, mas a cronologia do tempo me fez assim. Sou um e eles são sete, que se formam um, mais três ou quatro formam mês. O ano são doze. Vinte e três gigantes.
Este e outros textos, você também encontra no blog http://www.oditnes.blogspot.com.br/

quinta-feira, 19 de julho de 2007

O Amuleto

Por Marcos Tavares

Ola!!! Estou de volta aqui no Perfilado para trazer a vocês mais um texto. Porém, desta vez, um texto de minha autoria. O interessante desta crônica na minha humilde opinião é seu personagem. Diggo isso porque o personagem fica "escondido" na história. Cabe a você leitor descobrir sua "identidade". Espero que gostem e descubram o personagem.

O Amuleto

18:00 da tarde – Já não me sentia assim tão jovem, não sei se estou velha, mas a real é que estava ali no canto, quase que jogada no chão do quarto. Naquele instante ignorada, sobrou-me apenas olhar tudo que se mexia ao seu redor. Via aqueles passos já tão conhecidos, porém, agora muito mais nervosos, andando de um lado para o outro. Contagiada pela emoção, tentou desviar o olhar das cenas que se repetiam. Observava quieta, aqueles olhos cansados, com os pés tal como estivessem beirando o precipício. Mal sabia aquele, que daqui alguns minutos tudo seria diferente. Já pressentia que me trocaria, já que de agora em diante tudo seria novo. De repente para minha surpresa pegou-me, não acho que foi por puro e simples amor, mas servi naquela noite, assim como em muitas outras, como um antigo amuleto da sorte, fui naquele momento um objeto de segurança e supertição num impulso e na tentativa de salvar a própria ansiedade. Presenciei uma contradição de sentimentos: a certeza em deixar o que já conhecia e a alegria de experimentar novas experiências.
Quando a hora chegou, já havia anoitecido. A primeira noite do primeiro dia de muitas e muitas e muitas outras noites. Só o que pude fazer foi assentar-me ao seu lado naquela cadeira. Ouvia o ronco de sua barriga e quando me tocou senti o frio e o suor de suas mãos tremulas. Nos corredores daquele novo ambiente os vultos passavam por nós. Tentava me comunicar, mas “eles” falavam outra língua. Vi que para meu cúmplice de longos anos, os desafios apenas começavam, anunciando novos e infinitos deliciosos obstáculos. Seu rosto era uma mistura de feições. Pude perceber que começou a balbuciar uma mesma música sem parar, como se tivessem acionado o repeat. Não era nada, apenas sua voz cantarolando “nossas” velhas canções.
Com o passar das noites, vi que ia se aconchegando na sua nova realidade. Observava tudo como se flutua-se no espaço. Nada o ligava a lugar algum e o que antes era uma doce “rotina”, se derramou pelo caminho feito saco de bolinhas de gude. Melhor não pensar, ploc, ploc, ploc...

Senti que no relógio de sua vida era hora de acrescentar uma nova identidade além da que conheci, e, pouco a pouco o vi deixar ser descoberto em outras multidões
Assim como imaginava, a cada noite surgiam novidades que traziam motivação, sua gana de buscar novos horizontes, colocou o seu velho “comodismo” para trás, era ocasião de permitir mudanças; tipo, como já dizia aquele cantor: “(...) eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo (...)”. Afinal, não são os peixes que levam um pescador até o mar...
Antes de tudo, e o que ficou para trás até onde meu velho companheiro acaba de chegar, foram anos dourados de “cumplicidade”. Uma composição de lágrimas, interrogações, sonhos, esperança, caixas e mais caixas de livros, cadernos, borrachas e tudo mais o que ele me confiava acabava ali. Ponto final. Não posso negar que tive pensamentos egoístas, não queria ser esquecida em um canto qualquer. Mas, sabia que era inevitável esse processo de mudanças, mas aquilo era para o seu melhor. O que me restou foi presenciar a chegada de sua “nova’ e moderna companheira. Mais bonita, cheia de compartimentos, e muito mais resistente que eu. Foi quando em uma dessas noites, fui guardada com muita delicadeza pelo meu “amigo”, que vez ou outra me busca no fundo do baú e fica a me “fitar” com nostalgia das lembranças daqueles tempos.... Afinal, momentos marcantes agente nunca esquece, ainda mais o primeiro dia na faculdade. Até o vivenciarmos são muitos os mitos e incertezas, depois, tantos risos...
Marcos Tavares

terça-feira, 10 de julho de 2007

Por Deborah Miranda
Texto extraído da revista Época de 09/07/07,de Adriano Silva, e ilustra uma dependência muito comum(infelizmente) atualmente.

Confissões de um dependente
Confesso: sou um dependente da aprovação alheia. Preciso me sentir amado para me sentir bem. E sofro crise de abstinência quando as pessoas ao redor são pouco carinhosas comigo. Sem o aplauso, sem o sorriso cúmplice, sem o ambiente acolhedor, eu não vivo. O mero tratamento neutro me soa sempre como agressão, como postura hostil. Tem muita gente como eu por aí. Talvez você mesmo seja um de nós. Ainda que não venhamos a nos organizar num AAA em que os dois últimos "as" signifiquem "aprovação alheia", uma coisa é certa: precisamos nos tratar.
Quem tem essa dependência se coloca refém do humor alheio. Se alguém é áspero com você, você se culpa e se responsabiliza por isso. Se a outra pessoa é rude, você se preocupa, olha desconfiado para a própria conduta, se desestabiliza emocionalmente. Os dependentes da aprovação alheia se tornam, com o tempo, seres frágeis. Patéticos até, em sua hipersensibilidade, em seu melindre cronico. Ao colocarem sua felicidade em mãos alheias, se tornam pessoas facilmente manipuláveis.
Ao definir sua tranquilidade em relação a elas mesmas a partir do olhar dos outros, abrem uma brecha enorme em sua auto-estima. Não falta no mundo gente que perceba essa porta aberta e a use para jogar com a carência de afeto. Trata-se dos predadores emocionais.
É preciso ter cuidado com eles. Gente que faz assédio afetivo uma afiada arma de competição, de ascensão social, de exercício de poder sobre o outro. Por isso admiro quem não dá a mínima para os outros. Quem nasceu blindado contra o poder da opinião alheia, do que possam pensar ou sentir ou dizer a seu respeito.
Pessoas assim se respeitam mais, se preservam mais. Resolvem suas inseguranças de outro modo, sem expor o traseiro nu na janela. Com isso, imagino, sofrem menos.
Essas pessoas sabem que no fundo estamos todos sozinhos neste mundo. E que a opinião que realmente conta sobre elas é a delas mesmo.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Amor é prosa, sexo é poesia.

Marcos Tavares (um dos autores deste blog) não gosta da forma com que Arnaldo Jabor escreve, e deixou isso claro no post logo abaixo.Já eu (Deborah Miranda) sou fã assumida, apesar de achar que em alguns casos, ele é extremamente exagerado ao defender os interesses da Rede Globo, mas, ninguém é perfeito.

Amor é prosa, sexo é poesia


Em uma de suas crônicas afetivas Jabor escreve sobre as diferenças sobre sexo e amor (crônica essa que rendeu uma música a Rita Lee). E é fato, muitos vão pensar: “Não há diferença, sexo e amor são a mesma coisa”. No entanto, eu vos digo; não são a mesma coisa. Podem até estar indiretamente ligados, mas não são iguais.
Amor é algo divino, inexplicável, não se escolhe quem ama, simplesmente acontece em meio ao acaso. É uma busca de redenção, já o sexo é mais realista, envolve pele, toque, cheiro. Acontece por escolha, é algo que também não pode ser explicado, mas, pode ser entendido. O amor precisa do pensamento, o sexo do corpo.
O amor pode atrapalhar o sexo. No entanto, no sexo também há riscos, você pode se apaixonar, ou pior, o amor, pode virar amizade. Há camisinha para o sexo seguro, mas não há camisinha para o amor. O amor pode te pegar desprevenido á qualquer momento, já o sexo dá controle.
Amor é mulher, sexo é homem. Para as mulheres é perfeitamente possível que sexo seja conciliado com amor, algumas dirão até que não existe sexo sem amor. Todavia, para os homens, sexo é apenas sexo, a busca pelo prazer, e em alguns casos, até pode ter uma relação com o amor, mas jamais terão o significado que tem para a mulher.Levando-se em consideração que hoje o sexo muitas vezes é banalizado, visto como diversão, ou só prazer. E eu ouso dizer que, com essa banalização aquele que encontrar o sexo por amor, prazer e diversão no relacionamento, pode juntar as “trouxas” e casar, porque isso é raro.Enfim, sexo e amor, tentam nos afastar da morte, e nos tornar se não melhores, mais realizados.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

A teoria do canalha

Por Marcos Tavares

Ola!! Estou de volta trazendo aqui para o Perfilado um texto do polêmico Arnaldo Jabor. Confesso: não sou um admirador dos textos e crônicas do Jabor (podem me esculhambar se quiserem), não porque acho que ele escreve mal, pelo contrário, mas sim por causa do estilo de escrita. Apenas isso. Mas, desta vez tenho que dar o braço a torcer. O cara mandou muito bem...

A teoria do canalha

Eu não sou um canalha; eu sou o canalha. Tenho orgulho de minha cara-de-pau, de minha capacidade de sobrevivência, contra todas as intempéries. Enquanto houver 20 mil cargos de confiança no País, eu estarei vivo, enquanto houver autarquias dando empréstimos a fundo perdido, eu estarei firme e forte. Não adianta as CPI's querendo me punir. Eu saio sempre bem. Enquanto houver este bendito código de processo penal, eu sempre renascerei como um rabo de lagartixa, como um retrovírus, fugindo dos antibióticos. Eu sei chorar diante de uma investigação, ostentando arrependimento, usando meus filhos, pais, pátria, tudo para me livrar. Eu declaro com voz serena: 'Tudo isso é uma infâmia de meus inimigos políticos. Eu não me lembro se essa loura de coxas douradas foi minha secretária ou não. Eu explico o Brasil de hoje. Eu tenho 400 anos: avô ladrão, bisavô negreiro e tataravô degredado. Eu tenho raízes, tradição. E eu sou também pós-moderno, sou arte contemporânea: eu encarno a real-politik do crime, a frieza do Eu, a impávida lógica do egoísmo.

No imaginário brasileiro, eu tenho algo de heróico. São heranças da colônia, quando era belo roubar a Coroa. Só eu sei do delicioso arrepio de me saber olhado nos restaurantes e bordéis. Homens e mulheres vêem-me com gula: 'Olha, lá vai o canalha...!' - sussurram fascinados por meu cinismo sorridente, os maîtres se arremessando nas churrascarias de Brasília e eu flutuando entre picanhas e chuletas, orgulhoso de minha superioridade sobre o ridículo bom-mocismo dos corretos. Eu defendo a tradição endêmica da escrotidão verde e amarela. Sem mim, ninguém governa, sem uma ponta de sordidez, não há progresso.

'Eu criei o Sistema que, em troca, recria-me persistentemente: meus meneios, seus ademanes, meus galeios foram construindo um emaranhado de instituições que regem o processo do País. Eu sou necessário para mantê-las funcionando. O Brasil precisa de mim.

Eu tenho um cinismo tão sólido, um rosto tão límpido que me emociono no espelho; chego a convencer a mim mesmo de minha honestidade, ah! ah!... Como é bom negar as obviedades mais sólidas e ver a cara de impotência de inquisidores. E amo a adrenalina que me o acende o sangue quando a mala preta voa em minha direção, cheia de dólares, eu vibro quando vejo os olhos covardes dos juízes me dando ganho de causa, ostentando honestidade, fingindo não perceber minha piscadela maligna e cúmplice na hora da emissão da liminar... Adoro a sensação de me sentir superior aos otários que me compram, aos empreiteiros que me corrompem, eles humilhados em vez de mim.

Eu sou muito mais complexo que o bom sujeito. O bom é reto, com princípio e fim; eu sou um caleidoscópio, uma constelação.
Sou mais educativo. O homem de bem é um mistério solene, oculto sob sua gravidade, com cenho franzido, testa pura. O honesto é triste, anda de cabeça baixa, tem úlcera.

Eu sou uma aula pública. Eu faço mais sucesso com as mulheres. Elas se perdem diante de meu mistério, elas não conseguem prender-me em teias de aranha, eu viro um desafio perpétuo, coisa que elas amam em vez do bondoso chato previsível. A mulher só ama o inconquistável. Eu conheço o deleite de vê-las me olhando como um James Bond do mal, excitadas, pensando nos colares de pérolas ou nos envelopes de euros. Eu desorganizo seu universo mental, muitas vezes elas se vingam de mim depois, me denunciando - claro -, mas só eu sei dos gritos de prazer que lhes proporcionei com as delícias do mal que elas adivinhavam. Eu fascino também os executivos de bem, porque, por mais que eles se esforcem, competentes, dedicados, sempre se sentirão injustiçados por algum patrão ingrato ou por salários insuficientes. Eu, não; eu não espero recompensas, eu me premio. Eu tenho o infinito prazer do plano de ataque, o orgasmo na falcatrua, a adrenalina na apropriação indébita. Eu tenho o orgulho de suportar a culpa, anestesiá-la - suprema inveja dos neuróticos. Eu sempre arranjo uma razão que me explica para mim mesmo. Eu sempre estou certo ou sou vítima de algum mal antigo: uma vingança pela humilhação infantil, pela mãe lavadeira ou prostituta que trabalhou duro para comprar meu diploma falso de advogado.

Eu posso roubar verbas de cancerosos e chegar feliz em casa e ver meus filhos assistindo desenho na TV. Eu sou bom pai e penso muito no futuro de minha família, que, graças a Deus, está bem. Eu sou fiel a uma mulher só, que vai se consumindo em plásticas e murchando sob pilhas de botox, mas nunca a abandono, apesar das amantes nas lanchas, dos filhos bastardos.

Eu não sou um malandro - não confundir. O malandro é romântico, boa-praça; eu sou minimalista, seco, mais para poesia concreta do que para o samba-canção. Eu tenho turbocarros, gargalho em Miami e entendo muito de vinho. Sei tudo. Ultimamente, apareceram os canalhas revolucionários, que roubam 'em nome do povo'. Mas eu não. Sou sério, não preciso de uma ideologia que me absolva e justifique. Não sou de esquerda nem de direita, nem porra nenhuma. Eu sou a pasta essencial de que tudo é feito, eu tenho a grandeza da vista curta, o encanto dos interesses mesquinhos, eu tenho a sabedoria dos roedores.

Eu confio na Justiça cega do País, no manto negro dos desembargadores que sempre me acolherão. Eu sou mais que a verdade; eu sou a realidade. Eu acho a democracia uma delícia. Eu fico protegido por um emaranhado de leis malandras forjadas pelos meus avós. E esses babacas desses jornalistas pensam que adianta essa festa de arromba de grampos e escândalos. Esses shows periódicos dão ao povo apenas a impressão de transparência, têm a vantagem de desviar a atenção para longe das reformas essenciais e mantêm as oligarquias intactas. Este País foi criado na vala entre o público e o privado. Florescem ricos cogumelos na lama das maracutaias. A bosta não produz flores magníficas? Pois é. O que vocês chamam de corrupção, eu chamo de progresso. Eu sou antes de tudo um forte!

Artigo de Arnaldo Jabor transcrito de O Globo, dia 26 de junho de 2007

obs: Prometo que no próximo post postarei um texto de minha autoria..

Okay.

Okay. Uma rápida apresentação.

Fui convidada para escrever aqui no Perfilado. Prazer, Thaís Tavares.

Meus textos são escritos ao acaso, e não seguem uma linha só, (acho que tenho transtornos de personalidade,rs) às vezes sérios, por outras vezes debochados, românticos, bregas... há quem goste, e há quem simplesmente não lê. Enfim...

Mais uma vez... Prazer, Thaís Tavares.


...Ou não.

É uma coisa estranha sabe. Não passa. Vem forte, fica, vai, mas volta. Aperta o peito, entende? Não? É porque é fora da razão. A razão desaparece quando se ama. Amar pra quê? Amar pra ser amado. Uma vida sem. Incompleta. Amor. É incompreensível. Sem você perceber toma conta, e deixa com a sensação de que antes você era vazio. Quando esse amor te deixa, leva com ele toda sua ilusão de que ia ser pra sempre, ai meu amigo você descobre da pior maneira possível, que acabou. E você fica ali, passivo a espera que aconteça de novo. Amor. Amar. É um ciclo vicioso, não se vive sem, quando temos às vezes não damos valor, quando perdemos descobrimos que era o que nos fazia encher os pulmões de ar todos os dias, sem saber o motivo... Esses são os distraídos. É possível amar mais de uma pessoa? Não falo de paixão. É diferente. Eu sou capaz de ter uma paixão por dia. Você sabe definir o que é amor? Eu não. O amor não se define. O amor simplesmente é. Ou não.

Acordar-se para dentro...

Cíntia Neves, conhecedora da dúvida, generalista dos assuntos, ampliando discussões, jornalista de alma, tentando o caminho certo, avaliando falas, brincando com as palavras, criando e recriando, é uma das colaboradoras do blog. Em breve, novos textos!!
Acordar-se para dentro...
“Ser tão ausente do mundo ao ponto de não ser nada” - esse sempre foi o meu maior medo. Um medo incluso em cada ação, desespero nato de quem está começando, de quem quer o bem sem porquês definidos, de quem procura respostas sem limites.
Nem pensem que sou o mais puro dos humanos, sou mais uma, cheia de dúvidas, absolutas incertezas, nada certa... toda pecadora....
Porém, esse meu lado meio alucinante de viver me ensinou a gostar de gente, de querer sabores novos, atitudes verdadeiras, capitalizar amigos, fazer meu próprio destino sem precisar furar a fila, ou tirar alguém da brincadeira.
Existem coisas que já nascem na gente, não é verdade? Estão em nossas entranhas, na vontade de entender, na nossa maneira de compreender, esse tipo de fator que não se explica ou se aprende: é ou não é.
Foi o medo que me levou a procurar um caminho, a tentar entender o que é humano, o que tem de verdadeiro, porque as coisas estão como estão, porque precisamos de justificativas para tudo.
Nesta minha procura desvairada poucas são as questões que já possuem respostas, no entanto, descobri que nem tudo deve ser justificado, que o mais importante é ser feliz e que essência é fator primordial, o resto, bom, o resto é cada um procurando o que bem entender....
Então tente não estar alheio ao mundo, ser desbravador do mundo, para assim completar a lista dos “sonhadores natos”. Vá em frente ......sempre!!!!

terça-feira, 26 de junho de 2007

Teoria do Biscoito

Se você não passou por isso, com certeza tem uma amiga, prima ou conhecida que já esteve em situação parecida, afinal de contas, toda mulher tem dessas crises...
Teoria do Biscoito
Homem é igual a biscoito: vai um, vêm 18. Funciona assim: quando a gente está carente, sozinha, solteira, e sai ligando para todos os paqueras, ex-namorados, rolos e afins, ninguém te quer, não é? Pois é. Essa é a primeira fase: tocos em profusão. E aí vem a segunda fase, e no meu caso, a coisa muda um pouco de figura. Na fase dois, a gente resolve que não precisa de homem nenhum para ficar bem, e aí aparece um só para contradizer nossa certeza de auto-suficiência (e aí vem os poréns), o cara é interessante, não é de se jogar fora, e, surpresa, vocês começam a descobrir muitas, várias coisas em comum, e aquele cara que você já conhecia e ainda não tinha notado, se torna praticamente o príncipe encantado que teimava em não aparecer na sua vida.
No entanto, como nada costuma vir muito fácil, e a lei de Murphy vai imperar também nas relações amorosas de sua vida; esse suposto príncipe namora, mostra sinais de confusão na mente por ter te conhecido “melhor”, mas não mostra intenção de terminar o seu relacionamento. E você que há pouco tempo atrás era auto-suficiente, e tinha a maior certeza do mundo de que ter alguma coisa séria com alguém não valeria a pena, pois vendo suas amigas, conhecidas, primas e afins se frustrando sempre nos relacionamentos, decidiu que não quer isso na sua vida, e isso, seria algo muito improvável de se acontecer em médio prazo em sua vida, completamente desacreditada nos homens e suas idéias, se descobre sonhando pelos cantos com o rapaz, fazendo planos, criando expectativas, jogando toda a sua auto-suficiência pelo ralo. E é aí que tudo começa a se complicar.
Você que era uma mulher decidida, tranqüila, lentamente começa a se tornar a mais insegura; tem medo de que ele te de um fora a qualquer momento, tem medo de que ele não te ligue, tem medo de que ele ligue, e diga que não quer nada, tem medo de ele não ligar, e simplesmente sumir. Enfim, tem medo de tudo que possa acontecer, e passa a ter uma única certeza: Você está gostando dele (ok, Murphy gosta tanto de você, que até nesse momento ele vai atuar), e além de sonhar pelos cantos, você vai se flagrar em várias situações engraçadas e constrangedoras, como: confundir o nome do dito cujo com o de outra pessoa; identificar o perfume dele em suas roupas e cheira-la várias vezes (não fique com vergonha, você não é a única nessa situação ridícula), e agora a melhor parte, algo que toda moçoila apaixonada vai fazer e rir de si mesma depois: se flagrar acarinhando o rapaz, imaginando como é bom estar ali naquele momento, e implorar para o tempo parar ali naquele instante, pra que você possa ficar curtindo-o.
E aí tudo começa a piorar, você começa a ler livros que falam sobre amor e sexo, e sua quase impossível ligação, escuta músicas românticas, e vai se lembrar de quem? Dele é claro. E começa a perceber que não é nada legal vê-lo durante a semana, e nos fins de semana, você vai ter ainda mais vontade de encontra-lo. E óbvio, não vai poder, porque ele está com a namorada.
Fica decidido então, que você vai seguir em frente, e continuar aberta a possíveis novos relacionamentos, para tentar esquece-lo e aí entra em ação a fase três: todos aqueles rapazes citados na fase um, misteriosamente entram em ação (cá entre nós, desconfio que eles se reúnam e decidem te testar até o seu limite), e resolvem te procurar desenfreadamente. Como boa moça que é, você resolve dar uma chance a um dos pobres meninos que tanto se esforçaram, mas, ao dar essa chance, você percebe que dará chances à mais alguns garotos, e é bem provável que seja em vão. Pois ao sair com eles, quem vai estar em seu pensamento, vai ser aquele que namora, e não tem a menor idéia do que realmente quer com você. Mas ainda assim, continua aberta a possíveis relacionamentos, e quando menos esperar, e desencantar por esse rapazote compromissado, seu príncipe enfim aparecerá, e serão felizes para sempre enquanto durar.

Deborah Miranda

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Mulher Avassaladora

Meu nome é Marcos Tavares e eu sou um dos integrantes do perfilado. Para inaugurarmos nosso espaço escolhi um texto que reflete muito bem as “relações” amorosas atualmente. Espero que gostem...

Mulher Avassaladora

Uma situação chama a atenção na vida de qualquer homem. Percebendo isso, vale a pena ao menos refletir sobre o motivo pelo qual as mulheres nos enlouquecem. Quem as transforma nesses seres desprezíveis que costumamos encontrar nas baladas somos nós mesmos.

Queremos meninas legais, liberais, que façam kick boxing, que bebam chope,assistam futebol, que xinguem durante o jogo, que vejam o novo filme do Quentin Tarentino. Desejamos meninas sexys, bonitas, inteligentes e boazinhas. Muito fácil falar. Quando aparece uma assim, de bandeja, com aqueles olhinhos inocentes, querendo dizer “ele parece ser um cara legal”, a primeira coisa que pensamos é: Ôba, eu me dei bem”. Ficamos com ela uma vez, duas ou três. Começamos então a pensar essa é a mulher que as nossas mães gostariam de ter como noras. Se sair um namoro, vai ser uma relação estável e saudável.

Você vai buscá-la na faculdade, comerão num estacionamento de um fast-food, irão ao cinema ou num barzinho. Pode até ter sexo toda semana. Tudo básico, até virar uma rotina sem graça. Você vai olhar os caras bem-vestidos e bem-humorados, conversando em seus celulares com os amigos que estão indo para a noite para arrasar a mulherada e vai morrer de inveja. Vai sentir falta daqueles perfumes deliciosos, que parece que nossas namoradas nunca usam, vai sentir falta do decote daqueles loiras insinuantes que passam logo abaixo do seu nariz. Vai se lembrar ainda daquela gatinha te olhando, sorrindo para você na pista de dança, e vai ter saudade daquelas cantadas de artista que só você acha que dá. Quando os amigos (que sobraram, que não namoram) começam a contar sobre as aventuras sexuais que têm, você fica louco pelos detalhes e pensa: “Acho que não estou pronto para me enclausurar para o resto da vida nesse namoro”.

E aquela boa menina dos olhinhos inocentes se transforma numa mala-sem-alça e cheia de chumbo. Aos poucos, vai surgindo um nojo da namorada, uma aversão. Quando você vê o nome dela no celular, não dá vontade de atender. Chega o sábado à noite e aquela tradicional transa fica quase como uma obrigação. Pensamos: “A mulher dos outros é sempre melhor que a nossa” Não é assim que costumamos dizer? Você não tem mais vontade de pagar a entrada dela no cinema...

Aquela promessa de vida estável e saudável vai por água abaixo. Se a menina não se dá conta disso, começamos a ser agressivos, mal-humorados, sem educação. E a pobre namorada pensa: “O que eu fiz?”. Coitada, ela não fez nada. A culpa é nossa mesmo.
Tudo acabado! Você acabou de colocar mais uma criaturinha demoníaca no mercado. Aí, voltamos para nossa vidinha, aquela que a gente odiava meses atrás. Não vemos a hora de sair e arrasar na noit. Lembra dos decotes? Grande ilusão. Você chega em casa depois da balada, bêbado, cheirando a cigarro, o ouvindo esta zunindo, você esta sozinho. Daí, fica tentando descobrir por que não está satisfeito.

De repente, foi porque a menina da balada, a linda, gostosa e misteriosa, que ficou contigo no começo, nem sequer pediu seu telefone. Disse que ai ao banheiro e não voltou mais, trocou seu nome três vezes e ficou conversando com aquele amigo dela um tempão. Ela não está nem aí pra você. Na sua cama, tentando não fechar os olhos para não vomitar, você pensa na menina boazinha dos olhinhos inocentes que deixou pra trás. Enquanto isso, a boa menina, chateada, custa a entender o que ela fez para afastar você. A dúvida vira angústia, que vira raiva. “O que eu tenho de errado?” Ela desafoga as mágos chorando em frente ao espelho. Essa menina decide mandar tudo para o inferno. Não quer mais saber de nada, só de sair beijando muito. Resolve não se envolver mais.

Muito bem. Acabamos de criar um monstro. Uma terrorista, uma mulher-bomba, que fará você implorar por sua simples vidinha. Uma predadora! Um demônio usurpador de pobres almas machistas, que se acreditam muitoespertas. Aí você se cruza com ela na rua. O tempo passa, e a gente continua na mesma, volta a reclamar da vida e das mulheres. “Mulher é tudo igual, mulher não presta. Bom memso são os amigos. Passado de mulher é como cozinha de restaurante chinês Se você conhecer não encara nunca mais. Mulher gosta de ser maltratada. Cara que trata mulher com carinho vira corno”. E por aí vai. Sai cada pérola da boca de um homem sozinho e dor-de-cotovelo... Mas, se os comentários têm um fundo de verdade (e realmente têm para uma parte das mulheres), garanto que as mulheres são assim por culpa nossa. A mulher-vulcão da balada de hoje era a boa menina de outro homem.

Provavelmente, essa nossa ex-boa menina deve estar enlouquecendo a cabeça de outro homem por aí. E eu a perdi pra sempre. Eu a encontrei na balada outro dia e ela estava com um decote, um perfume delicioso, sorrindo e arrasando. Nem olhou para mim. Acontece com todos nós! Comigo e com você. Caso alguém saiba uma maneira de contornar essa situação, me deixe saber. Caso não saiba, vale a pena pelo menos a relexão.


Texto extraido do Jornal Estado de Minas. (08/05/2007)
Autor: Marcelo Jardel Portela
Aluno do 7º período de publicidade e propaganda da Puc Minas.




terça-feira, 29 de maio de 2007

Liberdade...



"Escrever é triste. Impede a conjugação de tantos outros verbos. Os dedos sobre o teclado, as letras se reunindo com maior ou menor velocidade, mas com igual indiferença pelo que vão dizendo, enquanto lá fora a vida estoura não só em bombas como também em dádivas de toda natureza, inclusive a simples claridade da hora, vedada a você, que está de olho na maquininha. O mundo deixa de ser realidade quente para se reduzir a marginália, purê de palavras, reflexos no espelho (infiel) do dicionário."

Carlos Drummond de Andrade já dizia: escrever é triste. Mas então, por que escrevemos? Talvez porque queremos entender todas essas “dádivas de toda natureza”. Talvez porque queremos descrever “o mundo lá fora”. Talvez porque queremos nos entender. Talvez porque queremos fazer o “purê de palavras” nosso reflexo.

Afinal, o papel em branco aceita tudo. Nele somos livres, não temos limites, nem regras a seguir. Para o papel o tempo não importa. Muito menos quem você é. Você pode ser um, ou ser todo mundo.
Foi justamente pensando em “liberdade” que 5 amigos se juntaram para criar esse espaço. Por isso, aqui tudo pode. Tudo é permitido. Portanto, a partir de hoje tentaremos compartilhar aqui um pedaço de nossa imaginação, um fragmento de nossas idéias, uma parte de cada um de nós. Seja ela através de textos próprios, de outros autores, crônicas, contos, historias ou qualquer coisa.

Sejam Bem Vindos!!

Perfilado: traçar, desenhar o perfil de...